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Gordura abdominal
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Por Denise Rosso, endocrinologista* redacao@bemleve.com.br A maioria dos pacientes, e até mesmo alguns médicos, não sabe que o aumento da medida da circunferência da cintura é importante fator de risco para doenças cardíacas, que matam 17 milhões de pessoas todos os anos no mundo. Um homem com circunferência abdominal maior ou igual a 94 cm possui 3 vezes mais risco do que aqueles abaixo dessa medida. Estudos indicam que uma perda de 10% no peso pode proporcionar redução de até 30% na gordura abdominal, segundo Ricardo Pavanello, supervisor de Cardiologia do Hospital do Coração (SP). O sobrepeso e a obesidade são calculados pelo índice de massa corporal (IMC), obtido pela divisão do peso em quilos pela altura em metros ao quadrado. Um IMC acima de 25 representa sobrepeso e acima de 30, obesidade. No Brasil, mais da metade da população está com sobrepeso. Leia AQUI mais matérias de Saúde A medida da circunferência da cintura tem se mostrado indicador preciso ligado a outros fatores de risco como o colesterol alto, diabetes e hipertensão. Para se ter uma ideia, a medida da circunferência abdominal, feita com uma simples fita métrica, é considerada hoje pelos especialistas uma indicação mais precisa do que o índice de massa corpórea, de acordo com Pavanello. Trata-se de uma ferramenta efetiva para identificar indivíduos sob risco cardiovascular. E apesar dos avanços terapêuticos, a doença coronariana vascular permanece como a principal causa de morte no planeta, segundo o médico. Além destes dados, não há como negar que a gordurinha abdominal é um motivo de descontentamento com o próprio corpo. A gordura é uma forma de armazenamento de energia pelo organismo, sendo a primeira a ser estocada e a última a ser destruída quando começamos uma dieta. Com o passar dos anos, o metabolismo vai se tornando mais lento e com isso a gordura vai tendendo a se acumular principalmente na cintura ou abdome. O acúmulo de gordura abdominal causa desequilíbrio ao organismo, por isso dizemos que a obesidade é um estado inflamatório crônico. Na verdade, este processo inflamatório é uma forma de proteção do organismo contra o aumento de tecido adiposo ao longo de vários anos. As substâncias que agem estimulando este descontrole metabólico se encontram em abundância, nas infecções crônicas, toxinas, metais pesados, agrotóxicos, corantes e conservantes embutidos em alimentos processados, no fast food, no alto consumo de açúcar refinado e de gorduras trans. Na obesidade, temos um aumento do número dos adipócitos (células de gordura) e estas células produzem substâncias que controlam o apetite, o equilíbrio hormonal e o processo inflamatório, tais como: o fator de necrose tumoral (TNF-alfa) e o PAI-1 (inibidor da ativação do plasminogênio tipo 1). Estas moléculas (citocinas) causam estragos ao metabolismo porque agravam o estado inflamatório e aumentam o apetite, diminuindo a queima de gordura e elevando os hormônios relacionados ao estresse. A gordura abdominal é um dos principais riscos à nossa saúde. É também conhecida como gordura visceral por se encontrar próxima dos principais órgãos do corpo (fígado, intestino, rins e pâncreas) e pode ser responsável pelo aparecimento de doenças como diabetes, doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, entre outras. Causas da gordura abdominal Para ter uma barriga saudável é fundamental manter o peso adequado à sua altura. A gordura abdominal depende muito de tendências hereditárias, mas também há outros fatores: Comer em excesso, mesmo sem estar com fome Alto consumo de gorduras saturadas e hidrogenadas. Prefira as gorduras de origem vegetal (óleo de canola ou girassol). Má digestão. Este fator não está definitivamente comprovado Estresse. O mal do mundo moderno? Má postura e sedentarismo. A falta do uso da musculatura abdominal causa flacidez, favorecendo o acúmulo de gordura na barriga. No caso de hiperlordose (excesso de curvatura lombar), a barriga se projeta para a frente, tornando-se bastante evidente. Nestes casos, a pessoa deverá trabalhar os músculos abdominais e alongar a região lombar procurando, também, observar a postura no dia a dia. Este trabalho também pode ser realizado em sessões de RPG (Reeducação Postural Global). Problemas hormonais. A redução dos níveis de estrogênio, ou o aumento de testosterona, pode contribuir para o aumento da gordura abdominal. Depressão está ligada ao ao acúmulo de gordura no abdome Um estudo publicado na edição de maio da revista científica Psychosomatic Medicine revela que a depressão está associada ao acúmulo de gordura no abdome. Estudo feito pela Universidade de Chicago, EUA, analisando mais de 400 mulheres acima de 50 anos, observou uma forte associação entre a presença de sintomas de depressão e a gordura visceral, que foi avaliada pelo exame de tomografia computadorizada do abdome. E essa relação era mais significativa entre aquelas com sobrepeso ou obesas. Felizmente existe solução para este problema, mas não adianta fazer dietas radicais. Na maioria das vezes, somente uma reeducação alimentar aliada a uma rotina de atividades físicas pode resolver o problema. Entretanto, em alguns casos, pode-se observar a presença de um estado depressivo associado ao aumento de peso que deverá ser acompanhado pelo especialista. A circunferência abdominal é um bom parâmetro para mensurar a quantidade de gordura abdominal e representa um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da síndrome metabólica. As mudanças na alimentação, no estilo de vida e na atividade física são fatores que, bem orientados, contribuem para atenuar estes fatores. Leia mais artigos de Denise Rosso: Saiba como lidar com a síndrome metebólica Ovários policísticos: identifique e trate uma das principais causas da infertilidade feminina Deficiência de cromo Fome psicológica De olho na tireóide *Denise Rosso é mestre em Nutrologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e endocrinologista formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF). É membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e professora do curso de pós-graduação de Endocrinologia pelo IPEMED – BH.
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